Será que sou Bruxa(o)?
- Liszy Darc
- 21 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de nov. de 2025
A "Bruxaria" foi erroneamente designada para designar religiões, ciências e saberes que não se enquadravam no status quo das sociedades patriarcais, especialmente pelo Cristianismo Católico que herdou do maniqueísmo a concepção extremista de "Bem" e "Mal" como polaridades absolutas e distintas, além da concepção do filósofo Platão - o "mundo das ideias", ideal (o "céu" ou o paraíso, o "sagrado") vs. o "mundo da forma" (imperfeito, o "inferno" ou a terra, o "profano").
Portanto, se você é hoje cientista, religioso(a) espiritualista, agnóstico(a) ou ateu/ateia, as chances de você ser estigmatizado ainda é muito presente em nossa sociedade, fruto das consequências históricas e heranças culturais inconscientes em grande parte da pessoas.

Etimologia da Palavra
A palavra “bruxa” deriva do espanhol bruja, termo de origem incerta, mas majoritariamente associado a raízes pré-romanas (ibéricas ou celtas) segundo Joan Corominas, com possíveis influências germânicas como brūhsa — ligada à ideia de uma mulher detentora de conhecimento oculto — e apenas hipóteses frágeis de conexão latina. Historicamente, seu significado foi profundamente transformado entre os séculos XIV e XVII durante a Inquisição e a Caças às Bruxas, quando passou a ser usada de forma pejorativa, sendo demonizada pela Igreja.
Conforme registros como o Malleus Maleficarum e análises de autores como Carlo Ginzburg e Silvia Federici, designava mulheres associadas a práticas pagãs, curas naturais, parteiras e saberes ancestrais. Enquanto em contextos anteriores, representava a mulher sábia ligada aos ciclos da natureza, à cura e ao sagrado feminino.
Quanto às Possíveis Origens do Termo, destacam-se:
Raízes pré-romanas/celtas da Península Ibérica: espanhol "bruja" - mais aceita!
Influência germânica (Alto Alemão Antigo): "brūhsa";
Hipótese latina indireta ligada ao latim vulgar: "brugia / brucola / bruccia" - menos aceita!
A Bruxaria Moderna - Wicca
Este arquétipo que foi resgatado no século XX pela Wicca, religião neopagã estruturada por Gerald Gardner em meados de 1900, na qual a “bruxa” deixa de ser um símbolo de maldade e passa a designar uma praticante espiritual voltada à harmonia com a natureza, à ética mágica (Lei Tríplice) e ao culto à Deusa da Lua e das Estrelas, a Mãe Terra da Vida, e ao Deus Cornífero do Sol, o Pai da Vida Selvagem e da Morte.
A Bruxaria Hoje
O reconhecimento contemporâneo da bruxaria como religião ou caminho espiritual legítimo está diretamente ligado ao surgimento do neopaganismo, especialmente da Wicca, tendo como principais nomes Gerald Gardner, considerado o criador da Wicca moderna ao publicá-la como religião após a revogação das leis anti-bruxaria na Inglaterra em 1951; Doreen Valiente, grande responsável pela organização litúrgica e ética do culto; Alex Sanders, fundador da Wicca Alexandrina; Raymond Buckland, difusor da Wicca nos Estados Unidos; Starhawk, que uniu bruxaria, feminismo e ativismo ecológico; e Margot Adler, que consolidou academicamente o neopaganismo a partir de seus estudos e publicações; graças a esses nomes e ao reforço das liberdades religiosas garantidas legalmente em diversos países, a bruxaria deixou de ser vista como superstição ou delito e passou a ser reconhecida, em muitas regiões, como uma forma legítima de espiritualidade baseada na conexão com a natureza, no culto à Deusa e ao Deus e em códigos éticos próprios.
Será que você é Bruxa(o)?
Como já mencionado em outro post, o apelido "Bruxa Liszy" me foi carinhosamente dado por minha história e características pessoais. Atualmente, há diversas tradições na bruxaria, como a Bruxaria Natural, Bruxaria Verde, Bruxaria Hereditária, Bruxaria Psíquica e tantas outras em que não há a necessidade de pertencimento à religião Wicca apenas, mas sim de práticas de estudo espiritual e intelectual que lhe desenvolva como ser íntegro, capaz de sonhar vida material e realidades astrais, manipular energias da natureza e ferramentas simbólicas, ritualizar ciclos da vida e da natureza, vivendo em harmonia com a sua Lua (energia feminina, yin, intuitiva, as sombras) e o seu Sol (energia masculina, yang, racional, a luz) internos.
Me conta aqui se você se sua alma se identifica com esse caminhar e, caso precise de uma conversa para se esclarecer, fico à disposição para trocas preciosas na Mesa com os Oráculos!
Referências Bibliográficas
COROMINAS, Joan. Diccionario crítico etimológico castellano e hispánico; OXFORD ENGLISH DICTIONARY. Entradas: witch, hag, (bruhtsjan / brūhsa); ISIDORO DE SEVILHA. Etimologias; KRAMER, Heinrich; SPRENGER, Jacob. Malleus Maleficarum (1486); GINZBURG, Carlo. Os andarilhos do bem: feitiçaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII; FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa; ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano; MURRAY, Margaret. O Culto das Bruxas na Europa Ocidental; GARDNER, Gerald. Witchcraft Today (1954).




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