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Magia pra quê?

  • Foto do escritor: Liszy Darc
    Liszy Darc
  • 21 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2025

Magia pode ser compreendida como "a arte e a ciência de transformar a consciência e a realidade de acordo com a Vontade", definição atribuída a Aleister Crowley para expressar que a magia não está separada da vida: ela é o pensamento em ação, a intenção que se concretiza, o fundamento de toda realização.


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Oracular é ler a verdade da sua essência e do seu caminhar nesta vida!

O que é Magia?


Aleister Crowley, um dos mais influentes ocultistas do século XX e fundador da filosofia de Thelema, diz que a “Verdadeira Vontade” (True Will) não se trata de simples desejo ou capricho, mas da expressão mais elevada do propósito da alma em harmonia com as leis do universo. Quando ele afirma que “Magia é a Ciência e a Arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade”, ele está dizendo que todo ato consciente direcionado — seja um ritual formal, uma decisão tomada com intenção ou uma mudança interna — já é, em si, um ato mágico. Essa visão também dialoga com o pensamento hermético expresso no Caibalion (atribuído aos Três Iniciados ou Hermes Trimegistro), que ensina que “o Todo é mente” e que a realidade é moldada primeiramente no plano mental. Assim, magia é pensamento em movimento, consciência em expansão e intenção direcionada — o verdadeiro princípio de toda realização, transformação pessoal e construção de destino.


O que NÃO É Magia?


Magia não pertence ao campo da fantasia cinematográfica ou à distorção moral imposta por séculos de dogmas religiosos, disseminando as práticas mágicas como "bobagens" ou mesmo "atos demoníacos". Ela é uma prática ancestral, presente desde as primeiras civilizações humanas. Na Mesopotâmia, sacerdotes caldeus já realizavam rituais ligados aos astros; no Egito Antigo, a magia (chamada Heka) era considerada uma força divina oficial, utilizada tanto por faraós quanto por sacerdotes em ritos de cura, proteção e ascensão espiritual. O próprio deus Thoth (Djehuty) — patrono da escrita, da sabedoria e da magia — era considerado o transmissor do conhecimento oculto. Na Grécia, a magia se manifestava nos oráculos e nos Mistérios de Elêusis; em Roma, nos rituais domésticos e cultos aos ancestrais; entre os celtas, nos druidas; e entre os povos nórdicos, nas práticas do Seiðr, associadas à deusa Freya. A Transubstanciação católica — transformação simbólica do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo — é, sob uma ótica simbólica e energética, um ato mágico ritualístico herdado de tradições mais antigas. O mesmo ocorre nas danças circulares dos povos ciganos, que atuam como invocação, magnetização e passagem de força entre planos. Até mesmo o simples gesto de acender uma vela em oração pode ser considerado um gesto mágico, tal como um planejamento estratégico bem direcionado carrega o mesmo princípio: intenção + ação + foco = transformação.


Magia como Ciência


A magia também é ciência em sua origem mais profunda. Na Antiguidade, não existia uma separação entre espiritualidade, medicina, astronomia e alquimia. O médico era também sacerdote, o astrônomo era também mago, o filósofo era também alquimista. Imhotep, no Egito Antigo (c. 2600 a.C.), é um exemplo notável: considerado sacerdote, arquiteto, médico e mago, ele foi posteriormente divinizado pelo seu conhecimento sobre cura. Na Grécia, Hipócrates reconhecia que as doenças tinham causas físicas, mas não negava a influência espiritual e natural sobre o corpo. Na Idade Média e no Renascimento, figuras como Paracelso (1493–1541) uniram alquimia, medicina, astrologia e espiritualidade, afirmando que a verdadeira cura dependia tanto da substância quanto do espírito da planta, além da vibração da palavra usada pelo curador. Assim, o poder de uma erva não estava separado da intenção de quem a manipulava nem da palavra que era proferida sobre ela. Grande parte da farmacologia moderna e das ciências naturais nasce exatamente desses estudos alquímicos e herméticos, que observavam a natureza como um organismo vivo, sagrado e inteligente.


A Magia é Ancestral!


Da mesma forma, os povos indígenas, xamânicos e tradicionais — assim como as benzedeiras de nossas avós — conservaram, por meio da oralidade e da ancestralidade, conhecimentos profundos sobre plantas, ciclos lunares e forças invisíveis. Para eles, cada folha possui um espírito, cada raiz carrega uma memória e cada reza ativa um campo vibracional específico. Essa sabedoria atravessa também as religiões afro-diaspóricas, nas quais cada erva é associada a um Orixá e a um princípio cósmico. A magia, portanto, está em tudo e em todos, canalizada em diferentes culturas e religiões, mas não pertence exclusivamente a nenhuma delas. Ela pode ser acessada por qualquer ser humano disposto a trilhar um caminho de estudo, prática, ética e expansão de consciência — seja pela tradição familiar, por ordens iniciáticas, por linhagens espirituais ou por caminhos autodidatas, como fizeram Eliphas Lévi, Papus, Dion Fortune, Madame Blavatsky e tantos outros grandes nomes do ocultismo ocidental.



Tipos de Magia


Segue abaixo uma breve menção, intencionalmente genérica, de alguns dos tipos de magias existentes atualmente:


  1. Magia Xamânica: ligada aos povos originários, mais próxima à natureza, rezos com medicinas da floresta, espíritos e cura ancestral;


  2. Magia Cerimonial / Ocultismo Ocidental: cabala, grimórios, magia angélica;


  3. Bruxaria Moderna / Wicca: culto à natureza, magia com cordas, dança e sexual;


  4. Magia Popular / Folk: benzeduras, rezas, simpatias, tradições locais;


  5. Magia de Axé (Afro-Diaspórica): oferendas, pontos riscados, entidades espirituais, ebós;


  6. Magia Nórdica / Rúnica: runas e mitologia escandinava;


  1. Magia Celta / Druídica: elementos celtas, oráculos de árvores e ciclos solares;


  2. Magia Egípcia: heka, símbolos e divindades do Egito Antigo;


  3. Magia do Caos: crença como ferramenta, sigilos, integração de várias tradições;


  4. Magia Sexual / Tântrica: energia vital como força mágica;


  5. Alquimia: magia de origem medieval para transformação espiritual e filosófica;


  6. Goetia: sistemas clássicos da tradição salomônica, magia demonológica.



A Magia Divina das Sete Chamas Sagradas


Nesse contexto surge a Magia Divina, sistematizada pelo sacerdote de Umbanda Rubens Saraceni (1951–2015), que promoveu uma importante reorganização dos fundamentos mágicos dentro da cosmovisão umbandista. Inspirando-se tanto nos conhecimentos de terreiro quanto na tradição hermética europeia, Saraceni estruturou a Magia Divina a partir das Sete Linhas dos Orixás, entendendo cada linha como um princípio cósmico atuante nas leis universais: fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração. Ele integrou práticas tradicionais, como pontos riscados, velas, ervas, pemba e elementos naturais, com conceitos de magia cerimonial, incluindo símbolos arcaicos, geometrias sagradas, fonemas vibracionais e conhecimentos astrológicos. Sua proposta não foi a de criar uma religião nova, mas foi praticamente o que ele fez, elaborando um sistema próprio de crenças que integra nessa religião afro-ameríndio-brasileira conceitos "brancos" (europeus, cristãos e ocultistas), dando ao praticante um entendimento mais profundo e consciente dos mecanismos espirituais presentes na Umbanda, organizando-os de forma didática, filosófica e iniciática.


A Magia Divina recebe esse nome por estar necessariamente alinhada à Lei Maior e à Justiça Divina, princípios universais que transcendem o desejo pessoal e respondem diretamente à evolução espiritual do ser. Diferentemente de práticas egoístas ou manipulativas, ela trabalha em conformidade com o merecimento, o aprendizado kármico e a necessidade evolutiva de cada indivíduo. Seu propósito é favorecer a abertura de caminhos, a harmonização de relações, o realinhamento energético, a cura física e espiritual e a libertação de padrões negativos herdados ou construídos ao longo de múltiplas existências. Assim, ela não “quebra leis espirituais”, mas atua em consonância com elas — como se fosse uma ponte entre o plano visível e o invisível, direcionada pelo amor, pela justiça e pela sabedoria dos Orixás.



Magia Divina comigo!


Se a sua intenção é abrir os caminhos para a aceleração do que é seu por merecimento, a Magia Divina é a ferramenta que pode te auxiliar na potencialização de resultados materiais, emocionais e espirituais. Limpando, transmutando e abrindo as portas para a prosperidade, o amor e a paz em sua vida, segundo a Lei Maior e a Justiça Divina.


  • Área Material: oportunidades de emprego, promoções, mudanças, viagens, dinheiro inesperado, foco, disciplina, parcerias, negócio próprio, novos clientes; quebra de pactos de pobreza, votos, trabalhos feitos e heranças kármicas de escassez e miséria;


  • Área Emocional: atrair uma pessoa para a sua vida, harmonia nas relações, reestabelecimento emocional após términos, limpeza emocional de traumas passados, corte de laços emocionais negativados, quebra de amarrações, autoestima, amorosidade, cessação de brigas na família, corte de karmas e padrões emocionais destrutivos;


  • Área Espiritual: descarrego energético de negatividades, abertura mediúnica, alinhamento com guias espirituais, firmeza de dons espirituais naturais, desmagiamento de trabalhos espirituais negativos, fortalecimento energético, cura mental.



O meu Caminho Mágico


Dentro dessa jornada, o magista, mago ou bruxa é aquele que escolhe conscientemente estudar, compreender e aplicar esses fundamentos de maneira ética e responsável. Ele não é um ser “sobrenatural”, mas um ser humano que despertou para as leis invisíveis que regem a realidade e aprendeu a dialogar com elas. Grandes exemplos históricos desse arquétipo incluem Merlin, na tradição arturiana; John Dee, mago e conselheiro da Rainha Elizabeth I; Nostradamus, alquimista e oraculista; Dion Fortune, ocultista e sacerdotisa do século XX; e tantas figuras de diferentes culturas. O verdadeiro magista não busca dominar o mundo, mas harmonizar-se com ele, auxiliando também seus irmãos e irmãs no despertar de seus próprios potenciais, conduzindo-os a uma vida mais consciente, próspera, protegida e alinhada com a inteligência divina que pulsa em todas as coisas.


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